Agricultor aumenta produtividade em 14% após aderir à Campanha da Calagem

Recomendações da Secretaria de Agricultura têm auxiliado produtores a atingirem cases de sucesso 

A campanha “Calagem de Outono”, lançada em março pela Prefeitura de Artur Nogueira, através da secretaria de Agricultura, tem ajudado os agricultores do município a terem maior produtividade e, assim, aumentarem seus lucros. Produtores que anteriormente realizavam o processo de calagem antes ou após o período indicado (Outono), e que não realizavam uma boa amostragem do solo, relatam sucesso no plantio após seguirem as recomendações repassadas durante a campanha. 

Na primeira fase do projeto, a secretaria tem chamado a atenção dos agricultores para a necessidade de uma boa amostragem antes da aplicação do calcário – elemento usado para corrigir o solo antes do plantio. Conforme o engenheiro agrônomo e pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) Afonso Peche Filho, a calagem é extremamente importante para equilibrar as propriedades químicas, físicas e biológicas do local onde será feito o plantio.

Além disso, o pesquisador – que tem auxiliado os agricultores da cidade durante a campanha –  ressalta que uma boa amostragem do solo é fundamental para aumentar o potencial produtivo das plantas e do solo. 

”A recomendação mudou, e é fundamental que os agricultores entendam que o outono é o período ideal para se fazer a amostragem e, em seguida, aplicar o calcário. É extremamente importante entender que sem calagem não tem produtividade, e que sem usar calcário não tem renda”, destacou.

EXEMPLO DE SUCESSO

Everton Rodrigo trabalha como agricultor em Artur Nogueira há 22 anos. Após realizar a correção do solo, ele aumentou a produtividade em cerca de 14%. A expectativa é que a produção aumente ainda mais nos próximos meses. 

”Na área sem correção de solo, eu usei a mesma adubação, o mesmo veneno e a mesma semente, e produziu 66 sacos de soja por hectare. E isso que é o segundo ano que ela já é mais produtiva. Já nessa outra área que foi feita a correção de solo com calcário, ela já produziu 75 sacos por hectare, usando a mesma adubação, o mesmo veneno e a mesma semente”, relatou o agricultor. 

Ele explica que a partir do segundo ano de plantação, um terreno costuma produzir mais do que o ano anterior (primeiro ano de plantação), e assim sucessivamente. No entanto, um terreno onde é feita a correção de solo da forma correta e no período adequado, a capacidade produtiva é ainda maior logo no primeiro ano de plantação. 

“Na área que era para produzir mais – por já ser o segundo ano de plantação – produziu menos por causa da falta de calcário. Na outra que corrigiu por calcário, mesmo sendo o primeiro ano, ela já produziu mais. Uma boa análise deve ser a primeira coisa a se fazer no solo”, orientou Everton. 

A diretora da Secretaria de Agricultura, a Eng. Agrônoma Taciana Guimaro descreve como o setor tem trabalhado para beneficiar os agricultores locais. “Como é um trabalho que está tendo foco a partir da palestra realizada pelo pesquisador Afonso, estamos auxiliando para mais cases de sucesso no município. De que forma estamos auxiliando: assistindo aos produtores locais ao plano de amostragem da área, encaminhando as amostras de solo para o laboratório e avaliando os resultados para uma recomendação de calagem com qualidade”, frisa.

PROPRIEDADES QUÍMICAS, FÍSICAS E BIOLÓGICAS

Segundo o pesquisador Afonso, a calagem equilibra as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, sendo que nas propriedades físicas, ela atua como agente catalisador da agregação do solo.

Já na propriedade química a calagem atua diretamente no Potencial Hidrogeniônico (PH), na redução do índice de toxidez de alumínio, bem como na disponibilidade de cálcio – alimento fundamental para que as plantas desenvolvam raízes, as tornando mais resistentes aos períodos secos do ano.

E, por fim, a calagem interfere nas propriedades biológicas, pois seleciona organismos que são benéficos para a planta. Quando necessária e não realizada a calagem, a tendência é que se prolifere pragas e, consequentemente, haverá perdas para o agricultor.

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